Uso de colete ortopédico na escoliose do adolescente: Principais dúvidas

Sumário

Uso de colete ortopédico na escoliose do adolescente: Principais dúvidas

Quando falamos do uso de colete ortopédico é importante um dado sobre a doença: 80% das escolioses menores que 20 graus não são progressivas, ou seja, não vão aumentar em curvatura e, portanto, estas devem ser controladas até o amadurecimento do esqueleto.

Considerando os dados acima, deve ser tratada toda escoliose idiopática acima de 20 graus em paciente com potencial crescimento pela frente, lembrando que após o período de aceleração do crescimento da puberdade, como foi ilustrado no artigo Escoliose e o Crescimento, as curvaturas tendem a diminuir seu potencial de crescimento.Para tanto, é fundamental saber em que período do crescimento o paciente encontra-se:

  • A menarca, ou primeira menstruação, o aparecimento de pelos na região do genital, mamas e o sinais verificados na radiografia da bacia e das mãos orientam o tratamento.
  • Sinal de Risser superior a 2 não deve ser tratado com colete ortopédico. Somente paciente entre Risser 0 e 2.

Saiba mais sobre Escoliose e o Crescimento

Portanto, Pacientes que DEVEM USAR colete são:

  • Curva entre 20 e 45 graus;
  • Curva flexível nos exames de radiografia com lateralização;
  • Idade precoce no desenvolvimento, antes do estirão da adolescência (Risser 0 a 1);
  • Pacientes com curvas < 25 graus, porém apresentando progressão.

Observação: Pacientes com curvas entre 30 e 45 graus e Risser 2 ou 3 deve ser oferecido o colete, porém há menor evidência de alteração na história natural de progressão.

Qual colete o paciente deve usar e como confeccionar?

O colete preconizado para uso atual é o colete de Boston ou TLSO ou órtese toraco-lombo-sacra, quando o centro da curva é abaixo da oitava vértebra torácica. Quando é acima da sétima vértebra torácica, há necessidade do uso do colete de Milwaukee, com extensão cervical (para o pescoço – lembrando que se encontra muita resistência para uso deste por parte dos adolescentes).

Ele deve conter almofadas de compressão sobre as convexidades, ou para onde a curvatura vai e deve ser talhada uma janela na região oposta a curvatura. As almofadas devem ter a altura das curvaturas medidas em centímetro, colocadas sobre o gradil costal no tórax e apófises transversas na região lombar.

O Colete deve ser usado 20 a 24 horas do dia, deve ser remodelado a cada 4 meses durante o pico de crescimento máximo e a cada 6 meses após este pico. A cada visita é importante a realização de nova radiografia panorâmica para avaliar a progressão da curva e efetividade do uso do colete.

A taxa de sucesso é de 70%, ou seja, em cada 10 pacientes que usam o colete, apenas 3 precisam operar. Esta taxa de sucesso está diretamente ligada a fatores como:

  • Tempo de uso do colete durante o dia;
  • Grau de correção da curva quando o paciente está com o colete – deve ser realizada uma radiografia com o colete após 2 semanas de uso para verificar se foi atingido o objetivo de uso: Correção de 30% nas curvas torácicas;
  • Correção de 50 % nas curvas toracolombares e lombares. Se estes valores não forem alcançados o uso do colete deve ser revisto;
  • Peso do paciente (menor taxa de sucesso em pacientes obesos ou sobrepeso);
  • Pacientes com curva torácica alta, ou seja, a curva principal com ápice acima de T8.
  • Diagnóstico precoce da escoliose – antes ou próximo aos 10 anos de idade nas meninas e 12 anos nos meninos.

Até quando usar o colete?

O médico deve acompanhar o paciente no período do estirão e apenas retirar o colete quando o paciente estiver com o crescimento em Risser 4 a 5 ou equivalente em Greulich & Pyle ou crescimento < 1 cm no intervalo de 6 meses (em meninas isto corresponde a 1,5 a 2 anos após a primeira menstruação) e o seguimento com radiografia feito até 2 anos após a maturidade do esqueleto. Se os valores críticos forem superados, apesar do uso do colete, deve-se indicar a cirurgia.

Quem NÃO DEVE USAR o colete:

  • Pacientes com Risser >= 4
  • Curvas >= 40 e 45 graus
  • Curvas <= 20 graus sem sinais de progressão
data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAPABAP///wAAACH5BAEKAAAALAAAAAABAAEAAAICRAEAOw==

Procure o especialista em coluna o quanto antes para orientar seu tratamento ou do seu filho.

Uma cirurgia para escoliose pode ser evitada.

Me siga nas redes sociais

Artigos em Destaque

novo tratamento doenca huntington dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Esperança de novo tratamento para a doença de Huntington

A doença de Huntington é uma condição hereditária com sintomas neurológicos, motores, cognitivos e psiquiátricos.
cirurgia de parkinson dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Cirurgia de Parkinson

A Cirurgia de Parkinson pode ser considerada quando as drogas não conseguem …
hidrocefalia dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Hidrocefalia – Fatos e Estatísticas

Como podemos, com a comunidade, aumentar a conscientização sobre a hidrocefalia?

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp
Email
Print

Especialidades em Destaque

hernia de disco lombar dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Hérnia de Disco Lombar

A Hérnia de Disco Lombar é uma condição na qual ocorre uma lesão que se situam entre as vértebras da região lombar.

Hidrocefalia

A hidrocefalia é uma condição caracterizada pelo acúmulo de líquido no cérebro, que aumenta a pressão intracraniana e pode causar danos ao tecido cerebral.

Meningiomas cerebrais

O meningioma cerebral é um dos tumores mais comuns de ocorrer e não é considerado de alta gravidade, pois na maioria das vezes é benigno

Metástases cerebrais

Metástases cerebrais são tumores no cérebro que tem origem em outra parte do corpo, como câncer de pulmão, mama, rim, colorretal e pele (melanoma).

Neuralgia do trigêmio

Neuralgia do trigêmeo é uma dor no nervo facial, que transporta informação sensitiva desde o rosto até o cérebro e controla os músculos envolvidos na mastigação.