Possíveis complicações na cirurgia endoscópica de coluna

Sumário

Algumas perguntas devem ser realizadas quando falamos de possíveis complicações e o mais importante de tudo é deixar claro a frequência de cada complicação.

  • Qual a complicação mais grave? – LESÃO NEUROLÓGICA PERMANENTE:(reportada em 1 a 6,7% na literatura) pode ocorrer se os passos e detalhes adequados do procedimento endoscópico não forem respeitados. A punção do local inadequado com a agulha de acesso pode ser um dos principais responsáveis por esta ocorrência e a experiência e cuidados são fundamentais para evitá-la. Outro detalhe importante é ter muito cuidado com a compressão da raiz emergente pelo canal de trabalho no acesso transforaminal, pois este pode levar a lesão da raiz de saída. Uma complicação raríssima da cirurgia porém reportada na literatura foi a punção de grandes vasos abdominais que pode levar inclusive a morte. A experiência e cuidados do cirurgião são fundamentais para evitar qualquer desfecho adversos de natureza grave ou leve.
  • Qual é a complicação mais comum? – PARESTESIAS TRANSITÓRIAS: com incidência estimada de 4% a causa mais frequente é compressão da raiz de saída pelo canal de trabalho por tamanho reduzido do forame, hérnia intra-foraminais ou extremo-laterais ou posição errada do canal de trabalho. A maioria dos pacientes tem melhora completa após 3 semanas até 6 meses do procedimento. – SANGRAMENTO OU HEMATOMA INTRA-OPERATÓRIO: esta complicação é controlável com uso da pressão do soro que flui por dentro do endoscópio, além da coagulação com uso de bipolar. O sangramento no entanto pode continuar ocorrendo e o paciente apresentar recidiva da dor radicular, que em geral melhora após alguns dias do procedimento. – LESÃO DO SACO DURAL: as principais causas dessa complicação são: identificação errada das estruturas, aderências, uso de instrumentais cortantes como tesouras e trefinas. A incidência de lesão não intencional do saco dural varia de 1,8 a 17,4% na literatura. Conforme aumenta a experiência do cirurgião, dimui a taxa de lesão dural.

Qual a complicação mais rara? – QUEBRA DE INSTRUMENTOS: há referências na literatura sobre quebra de pinças e broca durante o ato cirúrgico e dentro do disco. Para evitar tal complicação, uso de materiais novos e sem desgaste é fundamental. DEve-se ir atrás do instrumental quebrado no proceidmento e retirá-lo do paciente – INFECÇÃO: quando comparada com a cirurgia aberta, a taxa de infecção é bem menor = 0,2%. Os principais fatores de risco são: diabetes, imunossupressão, tempo prolongado de cirurgia e esterelização inadequada dos materiais. Em geral a infecção aparece entre 2 e 4 semanas após o procedimento e dor lombar e imobilidade da lombar são sintomas comuns. Cerca de 60% dos pacientes são curados com antibiótico, o restante geralmente vai para cirurgia de debridamento e limpeza. Os critérios para optar-se pela cirurgia aberta são: presença de déficit neurológico, absesso epidural ou paravertebral, diminuição significativa do espaço discal com destruição do corpo discal adjacente, Instabilidade com cifose, falha do tratamento terapeutico        

  •  – RECORRÊNCIA DA HÉRNIA: Os critérios para reccoência da hérnia são: remissão dos sintomas pré-operatórios por pelo menos 2 semanas, recorrência dos sintomas e confirmação por ressonância magnética. A taxa de recorrência varia entre 4,7 a 14%. Os principais fatorese de risco para recorrência/ retorno da hérnia são: hiperatividade, obesidade, grau de degeneração do disco e tipo de hérnia são fatores de risco. A recorrência pode ser tratada cirurgicamente com endoscopia ou mesmo cirurgia convencional.
  • Quais são as estratégias de tratamento e prognóstico clínico para as complicações? – a maioria destas informações estão detalhadas acima. No entanto o complicação mais temida de todos os pacientes é a lesão neurológica, pois ela impede a movimentação do pé ou do membro afetado e pode ser permanente ou temporária. Quando temporário o tempo de recuperação varia de 3 semanas até 1 ano e depende muito da reabilitação com fisioterapia e das alterações que são detectadas pela eletroneuromiografia.

É sempre importante que o médico cirurgião informe o paciente das possibilidades de complicações e mais do que isso saiba como manejá-las. As chances de acontecer são pequenas, mas é importante deixar claro que pode ocorrer.

Me siga nas redes sociais

Artigos em Destaque

novo tratamento doenca huntington dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Esperança de novo tratamento para a doença de Huntington

A doença de Huntington é uma condição hereditária com sintomas neurológicos, motores, cognitivos e psiquiátricos.
cirurgia de parkinson dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Cirurgia de Parkinson

A Cirurgia de Parkinson pode ser considerada quando as drogas não conseguem …
hidrocefalia dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Hidrocefalia – Fatos e Estatísticas

Como podemos, com a comunidade, aumentar a conscientização sobre a hidrocefalia?

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp
Email
Print

Especialidades em Destaque

hernia de disco lombar dr eloy rusafa neurocirurgiao coluna vertebral

Hérnia de Disco Lombar

A Hérnia de Disco Lombar é uma condição na qual ocorre uma lesão que se situam entre as vértebras da região lombar.

Hidrocefalia

A hidrocefalia é uma condição caracterizada pelo acúmulo de líquido no cérebro, que aumenta a pressão intracraniana e pode causar danos ao tecido cerebral.

Meningiomas cerebrais

O meningioma cerebral é um dos tumores mais comuns de ocorrer e não é considerado de alta gravidade, pois na maioria das vezes é benigno

Metástases cerebrais

Metástases cerebrais são tumores no cérebro que tem origem em outra parte do corpo, como câncer de pulmão, mama, rim, colorretal e pele (melanoma).

Neuralgia do trigêmio

Neuralgia do trigêmeo é uma dor no nervo facial, que transporta informação sensitiva desde o rosto até o cérebro e controla os músculos envolvidos na mastigação.